Origem!? Diversas descendências...
Bem diferentes nas fisionomias
Derivando de múltiplas etnias,
Como a que veio dos Açores
(amantes da paz e flores)
Que chega à Laguna pelos ventos
Sobe pela estrada dos conventos,
E fixa-se no planalto e arredores.
Também paulistas e bandeirantes
De outras regiões lusitanas
Trazendo escravas africanas
Vem para os rincões serranos
Repelir invasores e castelhanos;
Porém se a estrangeira madruga
Aqui já estava a nativa bugra
Vivendo entre povos haraganos.
“Da miscigenação destas raças”
Nasce o perfil da mulher serrana
Definindo o fenótipo que emana
O amor à terra e a liberdade;
Ensimesmada em mística bondade
Faz história na solidão da prece,
No anonimato luta, fia e tece
Mimetizando no labor a sensibilidade.
O biriba, o campeiro e o guerreiro
- muitas vezes um único ente –
Quase sempre estava ausente
Cavalgando e tropeando nas imensidões
Ou então, peleando nas revoluções;
A serrana assumia todos os encargos
Sempre enfrentando dias amargos,
Liberando os homens para as ações.
Existência de intermináveis esperas
Repleta de trabalho e adversidades
Temperada por lagrimas de saudades,
Como mãe, irmã, esposa ou filhas
Olhos fixos no alto das coxilhas
Aguardando o regresso do ser querido
Na esperança de não tê-lo perdido
Ao surgir cavaleiros e tropilhas.
Anos e anos, momentos após momentos
De tragédias, desesperos e ânsias
Como patroa e peona nas estâncias
E na angústias de dias incertos,
Também noites de olhos abertos;
Mas assegurando a produção
Garantindo alimentos e provisão
Aos que lutavam para serem libertos.
Mulher de olhos e cabelos negros
Fiel, dedicada e parideira
Misto de musa, santa e guerreira,
Presente em todos os momentos
Com suor, sangue e sofrimentos
Sem nunca pedir recompensa
Ou jamais negar sua “bença”
Para filhos lutarem em movimentos.
Mulher serrana, de estirpe gaúcha
Na paz, na guerra e epidemia
Com sangue transbordando valentia
E idealismo de Pátria consciente
Transforma-se na querência permanente
Na lembrança do serrano gauderiador
Com sede de carinho, mate e amor;
Exemplo do passado, esteio do presente.
(Ulisses de Arruda Córdova)
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